Entre nossos muitos vícios e manias, temos arraigado a nossa cultura, o hábito de inferir juízos de valor baseados numa observação superficial. Tornamo-nos peritos em categorizar as pessoas de acordo com nossa intuição. Esse costume execrável, que tentamos arrastar pra debaixo do tapete, nos domina, às vezes até involuntariamente.
Nalgumas igrejas, por exemplo, há uma espécie de triagem que precisa subjugar às pessoas de acordo com seus trejeitos, indumentária e ostentação – em alguns casos, “unção”. Uma lastima constatar que, quem se adequar ao esquema nem sempre precisa ter seu caráter moldado por Cristo. Basta aparentar, a essência tornou-se secundária. Estou farto desse rótulo fútil, cansei de ser chamado “evangélico”. Hoje, parece não fazer diferença nenhuma, servir a Deus está acima de qualquer emblema ou categoria.
De nada vale uma árvore grande e aparentemente viçosa, se for infrutífera.
São os rótulos que costumamos dar as pessoas, eles representam a nossa embaçada visão das coisas sem, no entanto, corresponder à realidade. Fazemos isso corriqueiramente, desde cedo, das brincadeiras da escola ao convívio com os colegas de trabalho. Quem nunca aderiu uma opinião sobre algo que julgasse incontestável? Rotular geralmente costuma estar relacionado à intolerância e falta de autocrítica.
Cuidado com a forma como temos visto nosso irmão, iracundos e cheios de preconceitos. Propensos a apontar-lhes os defeitos e encerrar-lhes como vilões de nossa história, quando na verdade estamos sendo pedra de tropeço na vida de outrem. Seremos medidos com mesma fita métrica divina. O que me incomoda é o fato de as pessoas se sentirem absolutas em seu julgamento, capazes de ir até as últimas conseqüências para impor a sua verdade. Piedade dos que tem razão.
"Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão”. Lucas 6:42
Por Eder Barbosa de Melo
Publicado originalmente no http://recortecotidiano.blogspot.com/





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